A Cidade do Recife
Recife - Aspectos gerais
Recife, capital do Estado de Pernambuco, situá-se no litoral nordestino e ocupa uma posição central, a 800 km das outras duas metrópoles regionais, Salvador e Fortaleza, disputando com elas o espaço estratégico de influência na Região.
Clima: quente e úmido
Temperatura média: 25,2º C
Altitude: 4 m
Coordenadas geográficas: latitude 8º 04' 03'' S e longitude 34º 55' 00'' W
Área: 219,493 km2
Composição da área territorial:
Morros: 67,43%
Planícies: 23,26%
Aquáticas: 9,31%
Zonas Especiais de Preservação Ambiental - ZEPA: 5,58%
Extensão de praia: 8,6 km.
Divisão territorial:
94 bairros
6 Regiões Político - Administrativas - RPA:
RPA 1 - Centro: 11 bairros
RPA 2 - Norte: 18 bairros
RPA 3 - Noroeste: 29 bairros
RPA 4 - Oeste: 12 bairros
RPA 5 - Sudoeste: 16 bairros
RPA 6 - Sul: 8 bairros
66 Zonas Especiais de Interessa Social - ZEIS
População residente (2000): 1.422.905 habitantes, correspondendo a 43% da população da Região Metropolitana.
Taxa de crescimento geométrico anual: 1,02 (1991/2000)
Bairros mais populosos: Boa Viagem (100.388 hab), COHAB (69.134 hab), Várzea (64.512 hab)
Bairros com maiores taxa de crescimento geométrico anual (1991/2000): Sítio dos Pintos (9,92), Caçote (6,56) e Passarinho (6,47).
Densidade populacional: 64,78 (hab/ha)
Bairros mais densos: Alto José do Pinho (299,57); Brasília Teimosa (292,78); Mangueira (290,05)
Composição etária da população (2000):
0 a 14 anos: 26,16%
15 a 64 anos: 67,33%
64 anos e mais: 6,51%
Domicílios particulares permanentes: 376 022
Densidade domiciliar: 17,13 (dom/há)
Proporção de domicílios ligados à rede geral de abastecimento de água: 87,96%
Proporção de domicílios ligados à rede geral de esgotamento sanitário: 43,00%
Proporção de domicílios com coleta domiciliar de lixo: 96,22 %
Composição setorial de emprego: (2003)
Indústria Transformação 8,58%
Construção Civil 5,65%
Comércio 18,99%
Serviços 57,22%
Outras Atividades 9,56%
Valor do rendimento nominal médio mensal dos responsáveis por domicílios: R$1.024,96
Valor do rendimento nominal mediano mensal dos responsáveis por domicílios: R$350,00
Taxa de alfabetização da população de 5 anos e mais: 86,61%
Proporção de crianças alfabetizadas na faixa de 5 a 9 anos: 55,70%
Proporção de crianças alfabetizadas na faixa de 10 a 14 anos: 92,47%
Evolução Urbana
O núcleo primitivo urbano da Cidade nasceu com o Porto do Recife e era constituído originalmente por conjunto de estreitas ilhas e camboas, resultantes das ações de depósito trazidos pelos rios e pelas correntes marítimas e do aterro de manguezais, em diversos momentos da história. A ocupação, restrita a uma pequena povoação, era feita por marinheiros, carregadores e pescadores, morando em casas de palha na extremidade sul da península. A constituição desta Vila é registrada já em 1537.
Até a chegada dos holandeses (1630), Recife dependia de Olinda - local de moradia da aristocracia do açúcar. Os invasores preferiram se estabelecer nas terras baixas do Recife, seja porque o sítio de Olinda não favorecia aos seus interesses militares e comerciais, seja pela semelhança do sítio do Recife com as terras da Holanda. A ocupação foi sendo feita por soldados, colonos, habitantes de Olinda (incendiada pelos holandeses) e por imigrantes judeus.
A intervenção holandesa (1637-1654) foi um fator decisivo para o direcionamento dos três eixos de urbanização da parte central do Recife, com a construção de fortes e redutos para impedir os ataques por terra e, também, através da intervenção planejada de Maurício de Nassau. O primeiro eixo seguiu em direção ao norte do bairro do Recife, no caminho para Olinda, onde atualmente, encontra-se a Fortaleza do Brum e a fábrica de biscoitos Pilar. O segundo eixo, atravessou o rio Capibaribe e ocupou a ilha de Antônio Vaz, atuais bairros de Santo Antônio e São José. Ainda durante século XVII, construiu-se a Fortaleza das Cinco Pontas e a ligação por dique, deste forte ao "Aterro dos Afogados", atual rua Imperial. O terceiro, configurou-se nos meados do século XVIII a partir da implantação do aterro da Boa Vista, na margem esquerda do Capibaribe, contornado a rua da Imperatriz e, na parte mais firme, o bairro da Boa Vista.
Cabe ressaltar que, em paralelo aos eixos, os aterros contribuíram para ampliar a área construída das ilhas do Recife e de Antônio Vaz; dos arredores do Cabanga, da Boa Vista, dos Coelhos e da Ilha do Leite; bem como dos dois lados da bacia do Pina e nas imediações da área portuária.
Deve-se ressaltar a importância das intervenções públicas, que modificaram as paisagens, nos séculos passados. Não se pode esquecer a pioneira intervenção planejada a partir do plano Pieter Post encomendada por Nassau e parcialmente executada na Ilha de Antônio Vaz (bairro de São José). Em meados do século XIX, foram as reformas do Conde da Boa Vista; no início do século XX, Sigismundo Gonçalves, no bairro do Recife. Estenderam-se estas intervenções, nas décadas de 40-50, com a abertura das avenidas Guararapes e Conde da Boa Vista, chegando ao prolongamento da abertura da avenida Dantas Barreto nos bairros de São José e Santo Antônio ocorrida na década de 70.
A cidade do Recife, mais especificamente, o bairro do Recife foi se especializando, a partir dos holandeses, como centro comercial, intermediando a circulação de mercadorias em função da presença do porto e dos judeus, comerciantes por excelência. Surgiram sobrados com o comércio localizado no térreo e a moradia nos andares superiores. Com a especialização cada vez maior do centro (setor de serviços e bancário) a população foi deixando o centro como lugar de moradia; São José que era habitado pela classe média na década de 30-40, passa pela deterioração das habitações, surgimento de cortiços e pensões e depois, estabelecimentos comerciais; o bairro do Recife, no início do século XX já apresentava alto grau de especialização, como local portuário e entreposto comercial. Nos outros bairros, continuou a predominância da função residencial, inclusive para a população de baixa renda - os mocambos se faziam presentes em toda cidade.
A mudança de uso, de habitação para comércio e serviços, iniciada no começo do século XX no bairro do Recife, continua em meados do século em São José e Santo Antônio, se intensifica na década de 60 na Boa Vista e Santo Amaro e agora mais recentemente na Ilha do Leite.
O Contexto Regional e Metropolitano
O município do Recife é uma das três maiores aglomerações urbanas da Região Nordeste. Ocupa uma posição central, a uma distancia em torno de 800 km das outras metrópoles, Salvador e Fortaleza, disputando com elas o espaço estratégico de influência na Região.
O Recife representa o núcleo da Região Metropolitana, mantendo uma estreita relação com o espaço desta Região, a qual se expressa na sua dinâmica interna e externa. E, ainda, sob qualquer aspecto que se queira destacar (demográfico, cultural, econômico, político-institucional, ambiental, patrimônio histórico, dentre outros), o Recife é a síntese mais significativa desse contexto.
Apresenta uma superfície territorial de 220 km2 e limita-se ao norte com as cidades de Olinda e Paulista, ao sul com o município de Jaboatão dos Guararapes, a oeste com São Lourenço da Mata e Camaragibe, e a leste com o Oceano Atlântico. Segundo os dados do recenseamento de 2000, a Cidade do Recife contém uma população de 1.422.905 habitantes, correspondendo a 18% da população do Estado, e a 44% da RMR, o que lhe propicia uma densidade demográfica de 6.458 habitantes/km2.
O Espaço Físico e Territorial
O ambiente natural (praias, rios, mangues, matas e mananciais) do Recife constitui riqueza ímpar e lhe atribui uma característica que a diferencia das demais cidades brasileiras. Há também nos morros que circundam a planície muito a admirar: a bela vista da cidade, a riqueza de sua produção cultural, a qualidade da sua habitabilidade - apesar dos riscos que advêm de sua ocupação desordenada - e a sua tradição organizativa
O Recife expressa na sua configuração físico-territorial as diferenças provocadas pelo quadro sócio-econômico que se consolidou ao longo de sua história. A cidade exibe a convivência de seus habitantes: próximos territorialmente, mas separados pelas enormes diferenças sociais.
O município do Recife reconhece a existência de 66 Zonas Especiais de Interesse Social - ZEIS, disseminadas pelo espaço urbano. Frente à existência de perto de 490 favelas, representando 15% da área total do município e 25% da área ocupada, as ZEIS agregam cerca de 80% delas. Revelam, então, o esforço governamental de encarar o problema social.
Aspectos Econômicos
O desenvolvimento econômico do Recife se deu a partir do setor terciário, desde quando a cidade se destacava pela sua função de intermediação comercial com Portugal, através da exportação do açúcar. Hoje, as atividades comerciais e de prestação de serviços são predominantes e respondem por 95% de todo o valor da riqueza gerada. São atividades ligadas ao terciário moderno, de comércio e de serviços, em que se destacam shoppings e grandes supermercados, serviços médicos, de informática e de engenharia, consultoria empresarial, ensino e pesquisa, atividades ligadas ao turismo, entre outras.
O Recife se tornou também, um reconhecido centro universitário e de produção do conhecimento, e atraindo pessoas que aqui chegam em busca de conhecimento de ponta nas diversas áreas e setores. Alguns pólos se constituíram e hoje se destacam, como o de tecnologia da informação, o médico, o de serviços técnicos especializados (nas áreas de consultoria, marketing, propaganda, advocacia, engenharia e prestação de serviços educacionais), dentre outros.
A cidade abriga quatro universidades de porte, além de faculdades isoladas e novos empreendimentos privados de ensino de 3º grau, que contam com mão-de-obra especializada e alta capacidade de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico. Também vem se afirmando como reduto de cursos de pós-graduação em níveis de especialização, mestrado e doutorado.
Apesar do desempenho da economia formal, com uma base econômica relativamente moderna, o Recife ainda se encontra fortemente ligado à chamada economia informal. Persiste uma enorme rede de atividades vinculadas ao comércio e serviços informais que mantém ocupada significativa parcela da população, gerando riqueza e conferindo à cidade uma especificidade. No setor informal há expressivo número de micro e pequenas empresas prestadoras de serviços que têm um papel importante para a economia da cidade, em especial como absorvedoras de mão-de-obra.
As Manifestações Culturais
A cultura, enquanto manifestação de expressão cultural e artística, tem posição de destaque, pela tradição e pelo lugar que ocupa no Recife - hoje considerado um dos maiores centros de produção artística e cultural do Nordeste. As manifestações culturais com identidade nas raízes locais são reconhecidamente uma marca da cidade. Trata-se de atividade promissora, quando vista também sob a forma econômica.
Entre as manifestações culturais do Recife, a música vem se destacando, sobretudo após o resgate de sons regionais misturados com a música pop, chamando a atenção da mídia nacional para o som regional/local. O Movimento Mangue Beat vem proliferando através da criação de várias bandas regionais, em que se destacam ritmos locais como o Maracatu, o Coco e o Forró. Assim, o Recife se consolida como centro aglutinador e disseminador de novas e tradicionais tendências culturais. Além disso, outros setores se afirmam e fazem parte da agenda cultural do Recife, como o Museu de Arte Moderna Aluísio Magalhães - MAMAM, os festivais de cinema, de dança e de teatro, que projetam a cidade para além de suas fronteiras. Vale destacar ainda a consolidação do Bairro do Recife como importante polo cultural.
Participação Popular e Controle Social
O Recife se destaca historicamente pelas suas lutas, envolvendo grande parte da população carente de infra-estruturas e serviços urbanos. Essa tradição se revela forte, desde as lutas libertárias aos conflitos pelas terras urbanas dos mangues e da planície.
Uma outra forte característica do Recife, e que está associada à tradição referenciada, é o seu poder de organização, de reivindicação e de negociação, atribuindo marca emblemática à cidade. O Recife possui grande número de organizações e movimentos populares que se fazem presentes nas várias instâncias de poder, procurando influenciar na concepção, formulação, implementação, monitoração e controle das políticas públicas.
Portanto, a tradição do Recife é de um povo que se envolve nas lutas pela liberdade e pelo direito à vida, pela democracia, pelo desenvolvimento sem exclusão. Isto revela um forte compromisso com as causas coletivas e assegura o apoio à gestão que tem por base a participação e o controle social.
LIMOEIRO - PERNAMBUCO
Dados Gerais do Município
Limoeiro situa-se na Mesorregião do Agreste de Pernambuco, Microrregião do Médio Capibaribe, no Agreste. A sede do município está situada na bacia do Capibaribe e dista a 77 quilômetros da capital do Estado. As rodovias PE 90 e BR 408 ligam Limoeiro à capital.
- Localização: Agreste, microrregião Médio Capibaribe, distante 77 km do Recife.
- Área: 204 km²
- Solo: Arenoso e argiloso
- Relevo: Suave ondulado, ondulado e forte ondulado
- Vegetação: Floresta caducifólia
- Ocorrência mineral: Xistos, guaisses e metarcosias
- Precipitação pluviométrica média anual: 1.248,2 milímetros
- Meses chuvosos: Junho - Julho
- População: 56.772 habitantes
- Dia de feira: Sábado
- Data de comemoração da emancipação política: 06 de abril
- Padroeira: Nossa Senhora da Apresentação
- Fonte: IBGE
História de Limoeiro
A Lenda - O mistério da Santa
O território que atualmente é ocupado pela cidade compreendia uma Sesmaria onde existia um aldeamento de índios. Pelos anos de 1730 e 1740, o Padre Ponciano Coelho era o missionário responsável de catequizar os índios e a atual cidade não tinha outras habitações, além das destinadas aos índios do aldeamento. A quinze quilômetros a oeste da cidade, num lugar chamado Poço do Pau, havia um português chamado Alexandre de Moura, extremamente religioso e devoto de Nossa Senhora da Apresentação. O português mandou construir uma capela onde eram celebradas missas e realizadas festas em louvor à Santa. Isso atraía muitas pessoas de lugares distantes. Muitas delas resolviam morar na localidade, e dessa maneira o lugarejo ia crescendo.
O Padre Ponciano pretendia que ocorresse o contrário; que o crescimento se desse ao pé da serra, local do aldeamento. Ele fez desaparecer a imagem de Nossa Senhora da Apresentação da igreja de Poço do Pau para ser encontrada em um limoeiro, no local que hoje é a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação. A imagem foi trazida de volta para Poço do Pau. Assim foi feito várias vezes, colocando-se a imagem sob um pé de limão. O padre Pociano disse que isso era bem significativo. E que vissem naquilo uma revelação em querer que ali fosse erguida uma igreja, onde fosse colocada a imagem.
E assim todos ajudaram na construção da igreja. A notícia do milagre trouxe para região várias pessoas que passaram a ali residir. E assim fundou-se um povoado denominado – Limoeiro de Nossa Senhora, mais tarde, porém, o nome passou a ser apenas Limoeiro.
Versão Histórica
O território que atualmente é ocupado pela cidade compreendia uma Sesmaria onde existia um aldeamento de índios. Pelos anos de 1730 e 1740, o Padre Ponciano Coelho era o missionário encarregado da catequese desses índios.
Sabe-se que em 1711, antes, portanto, do Padre Ponciano Coelho, que é de 1730 / 1740, dirigiu o aldeamento os Padres Manuel dos Santos e João Duarte do Sacramento, ambos pertenciam à Congregação do Oratório ou da Madre de Deus. A história Eclesiástica de Pernambuco dá a eles a fundação do aldeamento.
O Padre Ponciano cujos trabalhos principais foram a reforma da igrejinha que, toda de palha, teve suas paredes de taipa coberta de telhas. Devoto de Nossa Senhora da Apresentação a tornou padroeira da Paróquia.
Pela Carta Régia de 16 de junho de 1786, Limoeiro tornou-se Distrito, 26 anos depois tornou-se Vila. Pela Lei Municipal nº 2, de 19 de dezembro de 1892, Limoeiro passou a ser cidade.
Só em 6 de abril de 1893 Limoeiro tornou-se município autônomo, data da sua Emancipação Política. Teve como primeiro prefeito o Coronel Antônio José Pestana, o primeiro juiz o Dr. Firmino Monteiro e o primeiro vigário o Pe. Bartolomeu Monteiro da Rocha.